Post: Relatos do caso esquecido - ou - "Eu sei, mas não devia".
Fazia muito tempo que não lia algum texto da Marina Colasanti. E tive que ler um deles em um livro didático, enquanto dava aula a uma oitava série. (Antes de prosseguir, gostaria de salientar que esse "tive que ler" não deveria ter uma carga de obrigatoriedade. Mas acho que teve. Enfim, não foi uma obrigação negativa). Nem sei expressar minha tristeza ao ler (quer dizer, reler) o texto "Eu sei, mas não devia".
É. Os textos adquirem uma riqueza de significados tão grande com o passar do tempo! Quando li o bendito texto pela primeira vez, achei-o muito bom, bem escrito, interessante. Confesso que, naquele momento, ele não me fez tanto sentido. Afinal, vivia uma fase diferente da minha vida: adolescência, começo da vida universitária, muito chão pela frente. A vida adulta parecia algo distante demais.
Ao relê-lo agora, triste constatação: transformei-me em tudo aquilo que a autora (ou será eu-lírico?) aponta como sendo algo que não deveríamos ser ou saber. Sou aquela que vive correndo, que fica feliz com o fato de ainda ter tempo de dormir no final de semana, que se contenta em ter, ao menos, um trabalho que pague as contas e que sonha com a chegada do fim de semana. Sou aquela!!! Eu, que sempre sonhei em não ser "aquela". Adaptei-me ao sistema e perdi a poesia! Ou melhor (ou será pior?), perdi o tempo de poder admirar a poesia.
Reli meu penúltimo post, aquele que fala da cidade de São Paulo, e agradeci por ainda ter férias! Assim, poderei apreciar a vida nas férias. E não é triste isso? Torcer para que a nossa única vida (ou vida única?) passe logo... Não viver intensamente os dias... Eu sei, mas não devia. E agora?
Volto depois. Pausa para reflexão.