Clarissa de verdade
 
Pensamentos, divagações, relatos, desastres, maravilhas, descasos, denúncias, diário.
 


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+ Clarissa Biazuzo Ramos
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Formada em Letras, amante de música (MÚSICA de verdade), sofro de insônia, viciada em café, teimosa, incompreendida (em alguns casos é melhor assim...), amando, ansiosa, valente, católica, atenciosa, fiel, falante demais, ouvinte demais (não consigo me balancear); detesto arrogância, maledicência, promiscuidade e inveja; adoro liberdade, dormir com chuva, pão quentinho, nascer do sol, filmes, Big Mac (adoro mesmo, e daí?). Tem mais, mas chega!


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[+] 5.3.08 [+]

Post: Notas de rodapé - ou - "Mais um santo pra esculpir".

Bem, o ano letivo começou há algum tempo. Para variar, correria. Agora, mais do que antes. Sem horário de almoço, mas com o privilégio de ter todas as noites de folga (essa "folga" deve ser colocada entre aspas porque, afinal de contas, está para nascer um docente que não tenha que levar trabalho pra casa - e eu não fujo à regra). Novo emprego, novos desafios, novas pessoas para lidar. E eu, com meus problemas de entrosamento, sempre metendo os pés pelas mãos. Exigente demais que sou.

Enfim, o novo - mesmo com cara de velho.

Tenho estado agitada demais nos últimos tempos, em grande parte pela correria que acabei de citar. Mas não é simplesmente por isso. Não sei bem o porquê mas, a cada vez que penso no rumo da minha vida, me dá um frio na barriga e uma vontade de fazer algo diferente. O problema é que não me imagino fazendo qualquer outra coisa. Ansiedade barata ou sexto sentido? O fato é que a docência é algo que amo, incondicionalmente - ou, pelo menos, quase. Mas há um barulhinho na minha cabeça que me diz que eu devo fazer algo mais - particularmente, algo mais reconhecido. Até pensei que fosse algo egocêntrico/capitalista, que eu precisava me sentir reconhecida tanto pessoalmente quanto financeiramente (Também oscilo meu julgamento: ora penso que não há nada de errado nisso, ora abomido pensar simplesmente nisso). Hoje não sei mais no que pensar.
O que é inegável: dar aulas - ainda mais dessa forma, com esse salário, com esse prestígio social, etc, etc, etc - está se tornando cada vez mais um trabalho árduo. Fico me sentindo aquele santeiro milagreiro da música do Djavan e da Cássia Eller ("Milagreiro"), que sai por aí ditando verdades aos outros e, ao se desiludir, vê que só lhe resta esculpir - trabalhar. "Mais um santo pra esculpir é o que lhe vale/ Pra evitar que o rancor suas ervas espalhe". Será que a moral da música é a de que o trabalho dignifica? Será que a minha avó é que estava certa: temos que ocupar a mente, para que ela não vire "morada do diabo"? Até acredito que sim, mas a que preço?

Talvez eu leia esse post amanhã e me arrependa, porque ele é de um amargor tremendo. Mas registro que, hoje, me senti assim: a docência é um amor drummondiano - amar/amaro.
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