Clarissa de verdade
 
Pensamentos, divagações, relatos, desastres, maravilhas, descasos, denúncias, diário.
 


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+ Clarissa Biazuzo Ramos
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Formada em Letras, amante de música (MÚSICA de verdade), sofro de insônia, viciada em café, teimosa, incompreendida (em alguns casos é melhor assim...), amando, ansiosa, valente, católica, atenciosa, fiel, falante demais, ouvinte demais (não consigo me balancear); detesto arrogância, maledicência, promiscuidade e inveja; adoro liberdade, dormir com chuva, pão quentinho, nascer do sol, filmes, Big Mac (adoro mesmo, e daí?). Tem mais, mas chega!


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[+] 9.1.08 [+]

Post: "Lira Paulistana" - ou - Todos os espinhos da rosa.

Pois bem. Estou em São Paulo, cidade tão aclamada pelos literatos de que gosto tanto. Sempre questionei, lá no fundo, essa admiração que todos tinham pela terra da garoa. E as forças do destino me transformaram em mais uma voz no coro dos admiradores da Sampa já amada pelos sábios. Os sons, as cores, a vida, o cheiro agridoce, a vastidão de rostos icógnitos que passam a todo momento, apressados. Resumindo: virei fã incondicional.
Claro que estou em uma região "nobre", perto da Paulista. Entretanto, andei por todos os lados (a pé, que é muito melhor, já que nos proporciona um tempo maior para admirar tudo e todos) e me maravilhei com tudo o que vi. Mas não se enganem - porque eu não me enganei: quando falo em maravilhas, não estou me referindo ao Belo; incluo o Grotesco também, já que é essa dicotomia que faz São Paulo ser tão especial.
Visitei tudo o que pude - shoppings, museus, SESCs, mercados, sebos, livrarias, Espaços Culturais, etc, etc, etc. Estava na frente do MASP quando as pinturas roubadas foram levadas de volta (o que, por si só, me inclui na história, se ela pensava em me deixar de fora), mas não pude visitá-lo novamente ainda - burocracias necessárias.
A possibilidade de ter acesso a diversas manifestações culturais devia fazer qualquer pessoa feliz. Deus, como o paulistano é felizardo! E eu, pobre garota interiorana, infeliz por ter que voltar para a terrinha, invejo essas pessoas que podem pegar um metrô (um ônibus ou um táxi, que seja!) e chegar a qualquer museu dessa terra "do avesso". Eu, que tenho que me contentar em ir ao Teatro em Bauru e assistir a qualquer peça que os artistas globais considerarem "rentável" para levar para o interior.

Mas quero fazer uma observação especial a respeito da Casa das Rosas - o Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura. Poder visitar tão belo espaço arquitetônico repleto de objetos e livros do concretista-mestre é, sem dúvida, uma experiência grandiosa. Ao lado, um jardim lindo e minuciosamente cuidado, com rosas de todas as cores salpicadas entre arbustos aparados em formatos tão delicados que aparentam maciez. Ironicamente, a rosa, usada como metáfora em tantos poemas modernistas brasileiros, compõe o ambiente que homenageia um poeta não tão "leve" quanto ela. Haroldo inovou, chocou, subverteu, desconstruiu, mas criou - acima de tudo. Foi uma rosa cheia de espinhos pontudos, mas uma rosa. Linda!
Ai, alma, acalma! Voltaremos para a terra do ócio e do trabalho pelo trabalho, mas na lembrança levaremos a dança paulistana! E a possibilidade de voltar logo!

 
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