Clarissa de verdade
 
Pensamentos, divagações, relatos, desastres, maravilhas, descasos, denúncias, diário.
 


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+ Clarissa Biazuzo Ramos
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Formada em Letras, amante de música (MÚSICA de verdade), sofro de insônia, viciada em café, teimosa, incompreendida (em alguns casos é melhor assim...), amando, ansiosa, valente, católica, atenciosa, fiel, falante demais, ouvinte demais (não consigo me balancear); detesto arrogância, maledicência, promiscuidade e inveja; adoro liberdade, dormir com chuva, pão quentinho, nascer do sol, filmes, Big Mac (adoro mesmo, e daí?). Tem mais, mas chega!


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[+] 17.7.07 [+]

Post: A arte de enganar - ou - Quem procura, acha? - ou ainda - Histórias mal contadas.

É. Talvez a felicidade nunca seja completa sem um pouco de ignorância. Não no sentido pejorativo que essa palavra adquiriu ao longo do tempo. Refiro-me ao não saber - ou, pior, ao não querer saber.
Acho que sou um pouco masoquista: fico cutucando as coisas, vasculhando terrenos insólitos à procura de informações, segredos e, quando finalmente acho alguma coisa, preferia não ter achado nada. A grande verdade é que procuro informações mas não sei o que fazer com elas quando as encontro.

Certa vez, num desses testes vocacionais horríveis que fazem com os vestibulandos para que eles "saibam"qual curso irão prestar, descobri que eu tinha vocação para ser juíza (tsc) ou detetive policial (duplo tsc). Achei absurdo no momento.
Anos depois, me pego analisando meus comportamentos e descubro que tenho uma curiosidade mórbida por saber aquilo a que não tenho acesso. O obscuro, o escondido, o inacessível, essas coisas me despertam um interesse quase patológico - eu diria.

Claro que alguns devem achar exagerada essa opinião - afinal, o ser humano é curioso por natureza. Essa idéia me consolou até tempos atrás, mas não me consola mais. É que, antes, eu me achava preparada para lidar com a verdade. Agora tenho certeza que não tenho preparo algum.

E aí volto num ponto muito importante para mim, e sobre o qual já falei aqui: a mentira. Odeio imaginar que alguém olhou nos meus olhos e mentiu descaradamente, independentemente do motivo. Prefiro saber a verdade (mesmo sem saber o que fazer com ela) a ter que viver com a maldita pulga atrás da orelha.

Acho que vivi tanto tempo sendo enganada pelos outros - nas pequenas coisas, com aquelas mentirinhas aparentemente inofensivas - que hoje sou um pouco paranóica. Desconfio de tudo e de todos, e com isso sofro. Quando não desconfio, vivo com o medo de estar sendo enganada e passar por idiota.

Então, eis o ponto em que me encontro: não sei o que fazer com a verdade descoberta, mas também não quero ser alheia pelo resto da vida. E ainda não sei controlar essa coceirinha de curiosidade. (Que fique claro que não me interesso pelos costumes e segredos do cidadão comum, de uma pessoa qualquer; interessam-me coisas mais metafísicas, ou mais lugadas àqueles que amo).

Talvez tenha dado um grande passo em reconhecer que preciso mudar. Passo maior conseguiria dar se tentasse parar de achar que pessoas podem mudar, que algumas coisas podem deixar de existir, que alguns comportamentos são passíveis de mudança. Talvez um dia.
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Assuntos complexos de lado, começarei - ou tentarei começar - hoje a minha monografia da pós-graduação. Escolhi o autor Silviano Santiago, mas estou em dúvida entre dois de seus livros. Um deles é o que dá um dos nomes deste post: "Histórias mal contadas". Ótimo livro de contos. Vale a pena.
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Viajando, de férias, descansando, lendo, refletindo. Vivendo, enfim.

 
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