Clarissa de verdade
 
Pensamentos, divagações, relatos, desastres, maravilhas, descasos, denúncias, diário.
 


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+ Clarissa Biazuzo Ramos
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Formada em Letras, amante de música (MÚSICA de verdade), sofro de insônia, viciada em café, teimosa, incompreendida (em alguns casos é melhor assim...), amando, ansiosa, valente, católica, atenciosa, fiel, falante demais, ouvinte demais (não consigo me balancear); detesto arrogância, maledicência, promiscuidade e inveja; adoro liberdade, dormir com chuva, pão quentinho, nascer do sol, filmes, Big Mac (adoro mesmo, e daí?). Tem mais, mas chega!


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[+] 11.6.07 [+]

Post: "As muitas partes de mim" - ou - "Quero ser Ferreira Gullar - porque tem muita gente querendo ser o John Malkovitch"

E a vida continua um caleidoscópio de cacos de espelho... só doidera.
Trabalhando muito, mas ainda procurando paz.

Numa busca na internet - grande instrumento de trabalho - achei um poema maravilhoso do Ferreira Gullar. Postei no blog que fiz para os meus alunos, e acho que vou postar por aqui também. Vale muito a pena.
Sempre quis ter o dom de descrever sensações que, aos pobres mortais, são indizíveis. Nunca consegui. mas graças a Deus consigo ler gente que conseguiu... rs
Aí vai:

Metade

Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.

Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que triste...

Que a mulher que eu amo
seja para sempre amada
mesmo que distante.

Porque metade de mim é partida,
mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,
como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos.

Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz
que eu mereço.

E que essa tensão
que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.

Porque metade de mim é o que eu penso,
mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce sorriso,
que me lembro ter dado na infância.

Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.

E que o teu silêncio
me fale cada vez mais.

Porque metade de mim
é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba.

E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.

Porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada.

Porque metade de mim é amor,
e a outra metade...
também


Ferreira Gullar

 
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